Onde se localiza o rim?
O rim é um órgão duplo que se localiza na
região posterior do abdômen, atrás do invólucro peritoneal e portanto, trata-se
de órgão retroperitoneal. Externamente, o rim se localiza na região lombar.
Qual é função dos rins?
A sua principal função é
livrar do organismo os produtos finais do catabolismo dos alimentos que foram
ingeridos pela alimentação. Os alimentos geram energia para o nosso corpo, mas
todas as células ao utilizarem para suas funções específicas geram subprodutos
finais do metabolismo que deverão ser eliminados do nosso organismo. Estes
produtos quando não são eliminados levam ao estado que chamamos de insuficiência
renal, que vão intoxicando progressivamente o nosso organismo.
A insuficiência renal é chamada de aguda
quando se instala de forma rápida e de crônica, quando a lesão renal se
estabelece de forma lenta e progressiva (doenças sistêmicas, como por exemplo,
a diabetes ou o lupus eritematoso sistêmico).
Quais são os sintomas
provenientes de doenças renais?
O principal sintoma da
anormalidade renal é a dor tipo cólica, que reflete a obstrução da
drenagem de urina produzida nos rins para a bexiga, através do ureter. Um
exemplo bem conhecido dos pacientes desta obstrução a passagem natural da urina
no trato urinário é quando ocorre a eliminação de um cálculo dos rins, que
causa a cólica renal, cuja dor geralmente se inicia na região lombar direita ou
esquerda. Com a descida do cálculo pelo ureter (tubo que conduz a urina dos
rins para a bexiga), a dor vai se deslocando para o flanco e finalmente para a
fossa ilíaca. A causa mais freqüente de cólica renal é a obstrução causada por
cálculo renal (que na verdade, trata-se de uma pedra constituída pela
precipitação de cristais produzidos pelos rins). Existem muitos tipo de
cristais urinários, mas os mais importantes são os de ácido úrico, oxalato de
cálcio e os de infecção de repetição (estruvita, geralmente em mulheres). O
mais freqüente é o de oxalato de cálcio.
O câncer de rim (CR) também
pode causar dor tipo cólica quando os tumores são volumosos (maiores que 7 cm),
cuja causa é a obstrução do ureter por coágulo sangüíneo proveniente do
sangramento renal. Sangue na urina é um sinal de doença do aparelho urinário. O
tumor renal só causa geralmente sintomas quando apresenta um volume tumoral
maior que 4 cm. Os rins são extremamente vascularizados. A ruptura dos vasos do
tumor e/ou do próprio rim pode determinar sangramento. Os tumores do rim
geralmente são muito vascularizados. A visualização de sangue na urina sempre é
causa de consulta médica, e é chamada de hematúria.
A dor lombar surda ou em peso na região
lombar também pode ser observada na queixa dos pacientes que apresentam CR, mas
é observada apenas nos tumores mais volumosos.
A terceira causa do tumor
renal em freqüência é a massa abdominal. Nesta fase, geralmente o
tumor se encontra em fase avançada da doença e atualmente poucos são os
pacientes assim diagnosticados.
Qual é a incidência de
câncer de rim na população?
A incidência de CR é maior nos homens do que
nas mulheres, na proporção de 2-3 para 1, respectivamente. Geralmente acomete
após a sexta para sétima década de vida e a incidência decai após os 75 anos de
idade.
Quais são os fatores de
risco para CR?
Muito pouco ainda se conhece sobre as causas
do CR. Alterações específicas, do conteúdo do DNA celular, começaram a ser
descobertas e conseqüentemente novos tratamentos com drogas estão sendo
realizados atualmente. Muito ainda teremos que avançar nas pesquisas
científicas médicas para desvendarmos os princípios de sua iniciação. As
pesquisas nesta área se avolumam em muitos centros, cujo pioneirismo vão
resultar em descobertas que deverão revolucionar seu tratamento, que seja em
seus estádios mais iniciais como nos mais avançados.
O tabagismo deve contribuir para a promoção
da doença, mas seu vínculo maior é com os tumores oriundos do sistema coletor
urinário, que no rim é chamado de pelve renal.
Há uma associação forte com a obesidade nas
mulheres e o CR, com risco relativo de 3,6 (risco em relação à população não
obesa). Outros fatores que podem desencadear seu início são o cádmio, derivados
de hidrocarbonetos (gasolina) e hidrocarbonetos aromáticos (tintas).
Pacientes com insuficiência renal que
realizam diálise crônica desenvolvem em seus rins doentes, lesões císticas em
40%-50% (doença cística renal adquirida) e podem dar origem ao CR. Estes
pacientes devem realizar ultra-som renal anualmente após o terceiro ano de
diálise.
Um grupo de pacientes tem maior chance de
desenvolverem o CR, são os portadores de uma doença hereditária, conhecida como
Von Hippel-Lindau, sendo que o CR é a maior causa de morte neste grupo de pacientes.
Pacientes que tenham parentes do primeiro
grau com CR ou com diferentes tumores, mas de origem rara são pacientes que
podem ter CR. Pacientes que já tiveram tumores em vários órgãos, muitos tumores
no mesmo órgão, tumores associados com outros defeitos congênitos, tumor em
local raro e que teve um câncer em idade jovem são pacientes de risco para CR.
Você deve se preocupar por
ser portador de lesão cística renal detectada pela ultrassonografia?
Em princípio não, pois
estas lesões representam na sua grande maioria das vezes uma lesão benigna, que
é cisto renal simples. É um achado extremamente comum, pois é
relatado em mais de 60% dos pacientes adultos com mais de 50 anos que realizam
um ultrassom do aparelho urinário. Nunca evoluem para um câncer. Neste tipo de
lesão, o ultrassonografista não descreve nenhuma anormalidade interna na parede
do cisto renal. Pacientes com cistos que apresentem conteúdo interno denso ou
massa devem ser vistos como portadores de câncer até prova do contrário. Sempre
devem ser investigados e quando necessário os pacientes devem ser operados,
pois a análise do patologista é que vai determinar a sua verdadeira origem.
Lesões renais sólidas, com
características de conteúdo de gordura, na maioria das vezes são causadas por
uma doença benigna. Estes pacientes apenas devem ser seguidos anualmente com
ultrassonografia. Trata-se do angiomiolipoma.
Como se trata o câncer de
rim?
O tratamento do câncer de rim depende
fundamentalmente do estádio da doença (extensão loco-regional e a distância do
tumor). Na sua fase inicial, o tratamento preconizado pode ser feito pela
cirurgia radical ou parcial do rim. Geralmente, a extensão da doença no rim é
que determina qual cirurgia dever ser realizada.
O que é cirurgia radical do
rim ou nefrectomia radical (NR)?
A NR é uma cirurgia que tem como finalidade a
remoção do rim em monobloco com a gordura que o envolve. Nesta cirurgia, o
acesso cirúrgico pode ser por via lombar ou abdominal. Esta via é sempre a
escolhida no caso do tumor invadir a veia renal ou veia cava.
Atualmente, já se tornou padrão ouro (aceito
como ideal), a realização da NP por via laparoscópica quando desejamos realizar
a nefrectomia radical. Esta técnica está em ampla disseminação entre os
urologistas no nosso meio, sendo que a cada dia mais centros a utilizem. Os
novos especialistas estão sendo educados para que os pacientes sejam tratados
com esta modalidade de técnica cirúrgica. Cursos de reciclagem promovidos pela
Sociedade Brasileira de Urologia têm garantido o progresso com esta técnica
relativamente nova no mundo.
Os tumores mais volumosos de pólo superior ou
multifocais dos rins são geralmente removidos juntamente com a glândula
supra-renal ipsilateral.
O segundo tipo de cirurgia
realizado para os portadores desta neoplasia é a nefrectomia parcial
(NP). Hoje em dia, a maioria dos pacientes são diagnosticados nesta fase da
doença e portanto, geralmente com grandes chances de ser curados. Nesta
modalidade de cirurgia, pretende-se a remoção apenas do câncer, que geralmente
têm tamanho menor do que 4 cm. Atualmente, toda lesão sólida renal, achada em
exame de imagem, seja pela ultrassonografia ou tomografia computadorizada, é
preferencialmente tratada desta maneira. Cada dia mais se detecta em nosso meio
estas lesões, pois são realizados exames subsidiários para investigar outras
queixas dos pacientes, que não as específicas de uma doença renal propriamente
dita. Este achado ao exame da lesão sólida renal é conhecido como achado
incidental. Estes pacientes devem ser abordados cirurgicamente, pois estas
lesões representam câncer em 80% dos casos. A sobrevida destes pacientes
submetidos a este tipo de cirurgia é de 95-100% em 5 anos de seguimento,
portanto é excelente.
Nos tumores menores e de localizados no pólo
inferior ou superior, o acesso preferencial é o lombar. Para estes tumores
ainda podemos realizar a cirurgia por videolaparoscopia conforme a experiência
do cirurgião e da localização do tumor no rim. Tumores localizados nas áreas
centrais dos rins são mais facilmente tratados pela via aberta (ainda a mais
usada no nosso meio), via lombotomia (por incisão lombar). A via laparoscópica
é uma alternativa apenas para cirurgiões mais experientes por esta técnica,
pois a remoção do tumor do rim deve ser realizada com rapidez, geralmente em
tempo menor que 25 minutos para que o rim não sofra lesão causada pela isquemia
(isquemia é quando obstruímos os vasos principais dos rins, artéria e/ou veias,
para realização desta técnica).
0 Comments